Hungarian rapsody

A computação é uma ciência “recente”, que se move quase que na velocidade da luz em comparação com as demais ciências.

Em pouco tempo diversas mudanças ocorrem e tecnologias dominantes são praticamente varridas quase que para baixo do tapete em “segundos”.

É uma área em constante mudança que acontecem desde a concepção da tecnologia em seus mínimos detalhes, mesmo os invisíveis a olho nú, até aqueles estruturais e que abalam o ecossistema todo, ecoando através dos tempos deixando sua marca nos mais diversos meios de comunicação.

Nesse cenário a indústria de desenvolvimento de software moderna tem aprendido muito através do desenvolvimento de novas ferramentas que auxiliam a construção de tecnologias e produtos, entretanto nem sempre existiram IDE’s poderosas capazes de integrar com debuggers e analisadores estáticos, dentre outros ferramentais disponíveis na atualidade.

Borland Turbo C 2.0

No inicio dos anos 90, IDE’s como Turbo Pascal 5.0 e Turbo C 2.0, da Borland, começavam a revolucionar a forma como softwares eram desenvolvidos, com seus debuggers integrados, excelentes editores de código com seus syntax highlighting.

Entretanto nessa época os desenvolvedores, em sua grande maioria, não terceirizavam sua confiança e competência nas IDE’s e na maioria das vezes utilizavam ou desenvolviam técnicas para auxiliar a organização, compreensão e depuração do código.

Charles Simonyi

Nessa mesma época, Charles Simonyi, um jovem engenheiro de software nascido na Hungria e que havia sido recrutado por Bill Gates para trabalhar no desenvolvimento da suite Microsoft Office na Microsoft, começou a popularizar uma técnica que já havia sido criada por ele em seu antigo emprego na Xerox PARC.

Essa técnica consiste em uma notação de código, independente de plataforma e linguagem, que tenta padronizar prefixo de nomes de variáveis de acordo com seus tipos e comportamento, bem como estilo de nomes de funções (se estendendo a classes) de forma a deixar o desenvolvimento uniforme e com um padrão conhecido e documentado, auxiliando a compreensão principalmente em grandes projetos e por pessoas diferentes.

Esse padrão é conhecido como notação húngara (hungarian notation) e foi popularizada pela Microsoft em suas literaturas oficiais, principalmente nos anos 90, sendo ainda um padrão forte dentro da empresa até os dias atuais.

Programming Windows 3.1

Eu mesmo conheci essa notação em 1993, quando adquiri a terceira edição de Programming Windows 3.1, de Charles Petzold – Microsoft Press, esse também um dos melhores escritores de livros técnicos que eu já li (menção honrosa também a Peter Norton), me apresentando assim essa notação.
Me rendendo ao entusiasmo de Petzold, decidi tentar escrever todo software que eu pudesse, utilizando notação hungara para saber se traria algum benefício, não só por isso mas também porque meus softwares começavam a se tornar cada vez maiores e complexos, portanto eu deveria tornar as coisas mais compreensíveis para o EU do futuro.

Apesar de ser alguém, corportivamente falando, com raízes fortíssimas no UNIX, tendo iniciado no XENIX, passado por SCO UNIX, IBM-AIX e Sun Solaris, confesso que era bastante influenciado pelo estilo Microsoft, antes dela se tornar esse elefante branco que é hoje, pois ela era a Google da época e portanto uma forte influenciadora dentre os jovens programadores, algo em proporções muito maiores do que ela mesmo representa nos dias atuais junto aos programadores mais jovens.
Pessoalmente, a Microsoft foi um dos pais do padrão MSX, portanto era “alguém” por quem eu tinha um certo carinho até então e por isso usar uma notação difundida pela Microsoft e não pela galera do UNIX, a qual eu estava mais corporativamente inserido, não foi nada estranho.

Sobre a notação húngara, abaixo vou deixar alguns exemplos retirados desse documento, que é bem simples e direto e que faço questão de deixar aqui em meu site, mas também fazer referência ao link original onde ele originalmente está hospedado aqui e que me pareceu ser uma plataforma de ensino inglesa bem interessante.

[]’s
PopolonY2k

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No principio era o binário.

No livro de Bytesis capitulo 1 está escrito.

Versículo 1
E no principio era o binário e o binário era de difícil compreensão.
Então se criou os mnemônicos para facilitar a montagem de programas em binário e chamou isso de assembly.

Versiculo 2
E viu que assembly era bom, era rápido e enxuto mas ainda assim era difícil e causava muitos travamentos por ter acesso direto ao hardware.

Versiculo 3
Então chamou o profeta Denis Ritchie e disse, “Ide e desenvolvei uma linguagem abstrata que facilite a integração entre alto nível e baixo nível. E sendo essa linguagem de médio nível, a chamarás linguagem C”

Versículo 4
E o profeta Ritchie assim o fez e C era rápida e tão boa quanto o assembly e viu que era bom.

Versículo 5
Então chamou o profeta Bjarne Stroustrup e ordenou, “Ide e desenvolvei uma linguagem igualmente abstrata com possibilidade de encapsulamento e polimorfismo infinitos, tendo as mesmas especificações básicas de C, conforme eu ordenara anteriormente, e que seja igualmente rápida como as antecessoras.”

Versículo 6
E assim o profeta Stroustrup o fez conforme ordenado.
E vendo o criador seu feito disse, “Bendito sejas entre os povos e que seus feitos sejam conhecidos perpetuamente até o final dos tempos”.
E chamou essa linguagem de C++.

Versículo 7
E vendo que os feitos dos profetas eram bons e que davam bons frutos, o criador lhes deu uma última ordenança.
“Ide e divulgai todo o seu conhecimento ao redor do planeta, para que as futuras gerações saibam que eu estive contigo desde a criação, porém não crieis linguagens baseadas em máquinas virtuais e bytecodes, pois se assim tu o fizeres, certamente morrereis”.

[]’s
PopolonY2k

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