SplitPlay

Quem viveu a adolescência nos anos 80 sabe que indústria dos vídeo games era completamente dominada pelo Japão, principalmente após a crise de 1984 que deixou essa indústria vulnerável nos EUA no início dos anos 80.

Naquela época a Europa também tinha uma indústria forte, principalmente na Inglaterra onde diversos estúdios se dedicavam ao desenvolvimento de jogos para a plataforma ZX Spectrum, sendo essa uma das plataformas mais promissoras da época tendo diversos ótimos jogos lançados no mercado, inclusive sendo portados para outras plataformas como MSX e Amstrad CPC.

Também nessa época me lembro que os espanhóis começavam a desenvolver muitos jogos para MSX e ZX Spectrum, sendo muitos deles excelentes e outros de qualidade contestável. Mas como é se fazendo que se chega a perfeição, já naquela época fomos agraciados com excelentes jogos espanhóis, como por exemplo Astro Marine Corps.


Astro Marine Corps (ZX Spectrum, MSX e Amstrad CPC)

Felizmente o tempo passa e hoje os espanhóis também são bastante reconhecidos no mercado internacional de desenvolvimento de jogos, conforme já descrevi em um texto aqui há algum tempinho atrás.

Enquanto isso no Brasil

Infelizmente o Brasil é um País em que os empreendedores tem que gastar muita energia e dedicação para colocar seus sonhos em prática, pois há pouco ou quase nenhum investimento por parte do governo no fomento da indústria nacional de jogos. Entretanto graças ao espírito empreendedor dos estúdios nacionais, muitas vezes caseiros, esse mercado tem se desenvolvido ainda que lentamente, mas se considerarmos o cenário de 10 anos atrás, estamos vivendo um momento de extrema inovação e principalmente se desenvolvendo rapidamente.

SplitPlay

Os estúdios e desenvolvedores brasileiros sempre tiveram dificuldades principalmente no que diz respeito a facilidade de distribuição no mercado nacional. Me lembro que na década de 80 mesmo os grandes desenvolvedores da época, a maioria dedicados ao mercado de computadores MSX, tinham muita dificuldade em distribuir seus softwares, dentre eles diversos jogos feitos na época para essa plataforma. O meio mais efetivo na época era a publicidade em revistas especializadas, o que era caro e na maioria das vezes não significava retorno do investimento, uma vez que o fator pirataria também influenciava para que a quantidade de cópias fosse bem limitada aqui no Brasil, mais do que nos dias atuais.

Nesse cenário desfavorável o mercado nacional de games foi se desenvolvendo e hoje podemos dizer que é impressionante o número estúdios e desenvolvedores nacionais existentes por aqui, entretanto faltava uma boa alternativa nacional às grandes game stores internacionais, como a Steam, GooglePlay e iTunes, que na maioria das vezes não traz retorno nem reconhecimento algum aos estúdios nacionais, mantendo-os pequenos e muitas vezes irrelevantes no mercado mundial.

Para minha surpresa, no início do ano recebi um contato por parte do pessoal da SplitPlay, que é uma game store dedicada 100% a distribuição de jogos desenvolvidos aqui no Brasil onde, após algumas trocas de emails, estabelecemos uma parceria que me permitirá fazer uma análise dos jogos disponibilizados na SplitPlay :).

SplitPlay

SplitPlay Game Store website

Tenho recebido jogos de excelente qualidade e apesar da maioria ter um preço final que chega a ser 10 vezes menor que o de um jogo estrangeiro, posso afirmar que a maioria deles não deixa nada a desejar aos desenvolvidos por estúdios internacionais que tem acesso a mais recursos financeiros em seus desenvolvimentos.

Bom, esse é o primeiro de muitos posts que farei a respeito dos jogos nacionais disponibilizados na SplitPlay e nas análises posteriores tentarei pontuar os jogos considerando a qualidade gráfica, recursos computacionais utilizados, qualidade sonora, jogabilidade e portabilidade.

Quem viveu na época de ouro do MSX, deve se lembrar das análises de jogos feitas pela revista MSX Micro, portanto devem lembrar o estilo utilizado por essa publicação na época…..para quem não era nascido só posso sugerir que aproveitem e divirtam-se.

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PopolonY2k

Projeto Parallax – Engine de jogos 2D escrita em Java

Na ultima semana recebi por email a notificação do Cosmic Effect, onde sou inscrito, divulgando um post do desenvolvedor Michel Montenegro, descrevendo sobre o seu projeto de uma engine 2D escrita em Java, denominada Projeto Parallax.

Ao ler o post e assistir ao vídeo de apresentação da engine logo percebi que se trata de um dos projetos mais legais, inovadores e internacionais feitos por um brasileiro nos ultimos anos. Usei justamente o termo internacional pelo fato de eu já ter trabalhado em projetos internacionais, como o simulador de vôo Open Source FlightGear, adquirindo uma certa experiência que me possibilitou perceber o cuidado do autor em fazer um trabalho expansível e aberto, do mesmo nível de outros projetos internacionais.

Não posso deixar de citar que uma das maiores empolgações que tive de imediato ao assistir o vídeo, foi perceber que a engine trabalha nos moldes de muitos dos RPG‘s conhecidos pelos usuários e entusiastas da comunidade MSX, como Gouvellius, XAK, Fray, Shalom (Knightmare 3)  e com pitadas de SD-Snatcher.

Xak – The art of visual stage

De imediato tratei de entrar em contato com o autor do Projeto Parallax que me respondeu prontamente e atenciosamente de tal forma que trocamos endereços de email, GTalk e por fim nos falamos por mais de uma hora através do Skype. Foi um bate papo descontraído e  bastante proveitoso até porque conversamos sobre diversos assuntos relacionados a engine do Parallax, onde também citei o desenvolvimento do jogo pela comunidade MSX Brasil, divulgado meses atrás, nesse link aqui, sendo que o game da comunidade é no estilo Click-and-Point, próximo a RPG, porém em menor escala de complexidade.

Após muita conversa técnica, onde o autor me mostrou a estrutura da engine incluindo partes do código fonte em Java, percebi diversas coisas, algumas das quais compartilho abaixo:

  • O autor tem profundo conhecimento pois estudou a fundo o processo de desenolvimento de jogos, particularmente os RPG’s;
  • O projeto é altamente estruturado, não devendo nada aos projetos internacionais;
  • O código fonte (escrito em Java) é de excelente qualidade, muito claro e com excelente orientação a objetos e principalmente implementando com clareza os conceitos propostos pela engine;
  • O autor é muito, mas muito gente fina :);

Pedi então que o Michel fizesse um post explicando os detalhes do projeto Parallax e em pouco tempo ele me enviou um texto por email que reproduzo, na íntegra, abaixo.

Divirtam-se 🙂

Projeto Parallax – Uma engine de jogos 2D escrita em Java
por Michel Montenegro

Tudo bom pessoal, vim falar a vocês sobre o projeto Parallax, o projeto é um motor de criação de jogos 2D, ele funciona basicamente como um RPGMaker, para a criação de jogos ao estilo Dofus, Tibia e outros. Um dos focos do projeto é que o criador não programe uma única linha de código Java, somente altere valores em um “database” parecido com o do RPGMaker e edite suas imagens para o seu gosto e necessidade. Outro foco importante para o projeto é que ele vai dar suporte a jogos On-Line (MMOG). Imagine criar um jogo já com a possibilidade de ter um servidor em uma maquina e acessá-lo?.
Sou um fã de jogos em 2D e 3D, porém os jogos em 2D possuem uma mágica que atualmente vem sendo reconquistada no ambiente On-Line, tenho me deliciado com jogos online atuais que seguem aquele estilo visual, como o “épico e cômico” Dofus, o conhecido Tibia e mais recentemente o Club Penguin — este, um MMO em flash sob o selo de qualidade Disney, portanto, imaginem a qualidade da arte 2D.

Games

Uma engine em Java para RPGs em 2D
Não existem engines em Java para jogos 2D, para 3D existe o JMonkeyEngine, existem muitas bibliotecas para o apoio no desenvolvimento 2D, mas nada que ultrapasse esta barreira, não existe no Brasil um projeto similar e que esteja funcional e com este grau de amadurecimento.
Fazer jogos em Java é completamente viável por vários motivos, e algumas dessas razões me motivaram a escolher Java como linguagem, vou citar as vantagens desta engine:

  • Projeto open source – O usuário da engine poderá se assim desejar, fazer alterações personalizadas.
  • Compatibilidade – Possibilidade de rodar em qualquer sistema operacional que tenha uma JVM (Máquina Virtual Java) desde que atenda os padrões mínimos de hardware.
  • Sem programação – Não ter a necessidade de conhecer nenhuma linguagem de programação, apenas conceitos básicos de operação em qualquer sistema operacional.
  • Expansivo – Inicialmente, oferecer a capacidade de gerar jogos no mesmo estilo do RPG Maker para então expandir para outros modos. O Projeto Parallax é totalmente modular.
  • Off-line e on-line – Oferecer suporte online, possibilitando criar um MMOG ou MMORPG. Importante lembrar que o JMMORPG, protótipo do Parallax, obteve sucesso neste aspecto e suas estruturas estão sendo aproveitadas.
  • Custo zero – O Projeto Parallax somente faz uso de tecnologias 100% livres e de código aberto em sua construção.
  • Padronização no código e na criação final do produto – Utilização de técnicas modernas durante o desenvolvimento, garantindo compatibilidade com conceitos e tecnologias atuais.
  • Porta aberta para todos – Para quem deseja entrar na área de desenvolvimento de jogos, principalmente em Java, nosso projeto pode ser uma excelente escola.
  • Qualidade e simplicidade – Se for para qualquer um poder criar, não pode ser complexo. Procuro manter o código-fonte o mais objetivo, enxuto e padronizado possível.

O projeto parallaxUm relato rápido: no início, alguns profissionais da área de TI/desenvolvimento de jogos até me desmotivaram com relação a esta ideia, por conta da existência do XNA (framework de jogos para PC/X360 e Windows Phone), o GameMaker e até mesmo o próprio HTML5. Dei uma espiada nelas e pude concluir que, para o meu objetivo, Java continuou como a opção mais interessante, por quê?

  1. Existe JVM para Windows, Linux Mac, Symbian, Android, ambiente web (Applet) e outros que possuam uma JVM (aumentando a possibilidade de expansão ou adaptação do projeto, até para outra vertente, no que se refere à plataforma).
  2. Existem bibliotecas que agilizam muito o desenvolvimento em Java (Apesar do Graphic User Interface ser seu ponto fraco no quesito, ser trabalhoso e até complexo em relação a outras linguagens ou ferramentas mais especificas como o Flex, o resultado e controle que a linguagem dá por trás compensa estes detalhes).
  3. Uma rica quantidade de documentação a respeito da linguagem e de suas bibliotecas, dando suporte para um aprendizado mais veloz, além de poder usar qualquer outro conceito da área de desenvolvimento de jogos, sem o menor problema.
  4. Não ter que pegar nenhum tipo de licença, todas as tecnologias usadas são 100% gratuitas e de código aberto (Possibilitando mudanças personalizadas), dando total autonomia para o criador.
Engine em ação

Engine em ação

O Projeto Parallax já incentivou outros a pensar em fazer engines para Android e Symbian, uma outra vertente que gostaria de ver nossa engine se expandindo no futuro. Espero que gostem do trabalho e acreditem: foram dois anos e “uns quebrados” de muito estudo e pretendo levar a frente.
Peço que divulguem este artigo o máximo que puderem para seus amigos nas redes sociais e onde mais acharem relevante, quanto mais divulgação, maior a chance de ter colaboradores que ajudem o projeto a crescer mais rápido, lembrem-se “em solo fértil, um povo unido não passa fome” . Pois bem, respirei Projeto Parallax nos últimos dois anos e no site http://www.einformacao.com.br/parallax/ você pode encontrar em que pé a engine está neste momento. Sempre que possível vamos estar atualizando aqui o estado atual da engine ( ^^ ) um abraço a todos e obrigado!

Engine funcionando, com o jogo “As Crônicas Do Aventureiro”
 

Parallax Project – Video 2
 

Parallax Project – Video 3

Referência na internet

Site oficial do projeto Parallax
http://www.einformacao.com.br/parallax/

CosmicEffect – Video games ontem e hoje
http://cosmiceffect.com.br/

Project Parallax (CosmicEffect)
http://cosmiceffect.com.br/2012/02/16/projeto-parallax-engine-em-java-para-jogos-2d/

FlightGear – Open source Flight simulator
http://www.flightgear.org/

Java Home
http://www.java.com/en/

MSX, games e produções indepemntes (PopolonY2k Rulezz)
http://www.popolony2k.com.br/?p=967

MSX Brasil (Orkut)
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98375914

RPG (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Role-playing_video_game

Click-and-point adventure games (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Adventure_game

Gouvellius (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Golvellius

Xak (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Xak

Fray (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Fray_in_Magical_Adventure

SD-Snatcher (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/SD_Snatcher

Knightmare 3 – Shalom
http://knightmaresaga.msxblue.com/shalom/index.htm

Vamos Jogar Brasil !!!!

No pŕoximo final de semana, 28 e 29 de janeiro, acontece no Rio de Janeiro o Joga Brasil, que é um evento voltado para a divulgação de jogos eletrônicos feitos por empresas nacionais.

Joga Brasil

Um ótimo evento para fomentar novos desenvolvimentos, entrar em contato com os players nacionais que já contam com algum tempo de experiência no mercado de desenvolvimento e venda de jogos, assistir as diversas palestras sobre assuntos como desenvolvimento de jogos, mercado e negócios e também sobre os resultados da industria nacional de jogos.

No site do Joga Brasil encontramos todas as informações sobre as mesas redondas e palestras que estão previstas para os dois dias do evento e o interessante sobre os palestrantes é que no dia 28 teremos a participação de um velho conhecido da comunidade MSX nacional, Renato Degiovani, autor de diversos jogos nacionais no formato adventure e também do aclamado software de manipulação gráfica, o Graphos III.

É uma pena que a maioria das palestras e mesas redondas acontecerão apenas no dia 28, entretanto se você conseguir marcar presença apenas no dia 29, com certeza participará de um evento pioneiro e único, até o momento, no mercado nacional. Abaixo o vídeo promocional do evento.

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Vídeo promocional do evento Joga Brasil

Informações:

Joga Brasil 2012

28 e 29 de Janeiro, 2012

Av. Marechal Rondon 1460 – Riachuelo, Rio de Janeiro
Sáb. das 10 as 18hrs, Dom. das 10 as 17hrs – Entrada Gratuita!

[]’s
PopolonY2k

Referência na internet

Joga Brasil – Site oficial
http://www.jogabrasil.com.br/

Renato Degiovani – Wikipedia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Renato_Degiovani

Graphos III
http://www.tilt.net/clip/bits04.htm

Game On

Game On no Brasil

O Museu da Imagem e do Som (MIS) apresenta a exposição interativa Game On, inédita no Brasil. Segundo o o site do MIS, o evento nasceu na Inglaterra e vem pela primeira vez ao País trazendo um mix entre games do passado e novidades e tecnologias atuais em games.

‘Game On’
Abre amanhã. Até 8/1.
Museu da Imagem e do Som (MIS)
Av. Europa, 158, Jardim Europa. 2117-4777
Terça a sexta, das 12 às 20h; dom., sáb. e feriados, das 11 às 21h
Ingressos: R$ 10 e R$5 (meia)
Livre

Vale a pena conferir.

[]’s
PopolonY2k

Referência na internet

Museu da Imagem e do Som
http://www.mis-sp.org.br/

Game On (MIS)
http://mis-sp.org.br/icox/icox.php?mdl=mis&op=programacao_interna&id_event=825

Game On (Estadão)
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,exposicao-conta-a-historia-da-evolucao-dos-videogames,796268,0.htm

MSX, games e produções independentes.

Esse ano é um bom ano para o MSX no cenário nacional. Na parte de hardware sempre pudemos contar com produtores que estão sempre ativos construindo “antigas” novas tecnologias para nossas máquinas e algumas vezes construindo até novas máquinas do zero, ou quase do zero, como é o caso dos kit’s de conversão ou até mesmo motherboards MSX, “zero bala”, para adaptação em gabinetes de PC ou em antigos Experts e HotBits.

Pois bem o cenário de hardware é bem ativo, algumas vezes dá uma descansada mas sempre se levanta com novidades, porém  o mesmo não acontece com software desde a época de ouro do MSX, no Brasil. Para falar a verdade, apesar dos muitos softwares escritos originalmente em nosso País, creio que o desenvolvimento de software nunca foi um sucesso em nosso País, independente da plataforma utilizada.

Felizmente nos últimos anos, o Brasil tem começado a colher os frutos da formação de profissionais nas décadas de 70, passando pelos 80 e chegando até os 90 e para mim é inevitável que o País se torne referência em software nos próximos 10 anos, pois os profissionais de software sofreram muito ao viver as épocas em que eram “generalistas“, ou seja, podiam fazer tudo na área de tecnologia.

Por um lado ser generalista é ruim, pois não nos especializamos em um nicho de mercado, que de certa forma nos tornaria mais caros no nicho escolhido, mas analisando de uma maneira mais ampla e aberta, com certeza chegaremos a conclusão de que é isso que nos torna melhores arquitetos de software do que outros pelo mundo afora, uma vez que pensar em tudo e criar abstrações para esse “tudo”, só pode fazer quem já viveu uma situação de atuar no “todo”. 🙂

Mas é claro que só poderemos ser uma potência em software se o governo federal também fizer a parte dele que é, proporcionar uma boa infra-estrutura de ensino para os nossos jovens, e futuros profissionais. Atualmente o mérito é individual e apenas do povo brasileiro, através dos esforços dos pais (não confundir com País) e avós dessa geração que citei anteriormente, que foram os investidores dessa geração que aí está.

Voltando ao software, recentemente adquiri um lote de coisas para MSX, que vão desde hardwares e softwares a diversas revistas, incluindo MSX Magazine e outras revistas, que só tratavam de software em seu conteúdo, cada uma com mais de 100 páginas só de softwares escritos em diversas linguagens (MSX-BASIC, Prolog, ADA, C, ASM, …) , tudo da década de 80.

Revistas de MSX japonesas.

Pois bem, olhando esse material todo apenas tive a confirmação do porque os melhores games e softwares eram feitos no Japão. Simplesmente porque, aliado ao fato deles desenvolverem grandes softwares, eles desenvolviam conhecimento e difundiam em massa e ainda obtinham lucro com isso. Essas revistas tem tanto conteúdo técnico de qualidade, que eles são aplicáveis em qualquer plataforma atual e talvez todo esse conhecimento explique o porque de ainda existir diversos grupos construindo coisas para MSX no Japão e Europa e também para outras plataformas como C64, NES, SNES, Sega Genesis (aka Mega Drive), entre outros.

20 e tantos  anos depois…..

…muitos dos que viveram aquela época, hoje nem trabalham com software ou na área técnica, entretanto a grande maioria das pessoas daquela geração e que hoje estão no mercado de trabalho, ou trabalha com um computador ou pelo menos o utiliza como ferramenta no dia-a-dia e para entretenimento.

Dentre essas pessoas encontramos, Designers e Web Designers, Programadores, Músicos, Gamers, entusiastas de tecnologia, enfim, muitos de nós, desenvolveu bastante suas capacidades técnicas nos computadores pessoais, desde a épocas passadas.

Podemos dizer que, hoje, somos muito mais capazes de realizar proezas técnicas diversas, com muito mais facilidade e qualidade do que naquela época e também baseado nesse raciocínio posso dizer que se fosse possível voltar no tempo, com o conhecimento que temos hoje, poderíamos ao menos fazer frente aos dominadores do conhecimento da época. A situação seria ainda melhor se conseguíssemos construir coisas utilizando recursos computacionais modernos, como os que temos hoje. Com certeza seria um diferencial.

Não é muito difícil encontrar grupos, ao redor do mundo, que tem um ponto de vista similar ao que citei anteriormente, veja o caso do pessoal da Relevo Video Games, que desde 2009 vem lançando games originais para plataformas MSX e ZX-Spectrum, com qualidade excepcional, como é o caso do excelente e já consagrado Invasion of the Zombie Monsters, que é um game de 32Kb com gráficos, musicas e jogabilidade superior a muitos dos clássicos da época de ouro dessas plataformas e, serei ousado, superior a muitos games da mesma categoria feitos para plataformas mais atuais como Android e iPhone.

Capa do game Invasion of the Zombie Monsters

Ao acompanhar o nascimento de grupos como o pessoal da Relevo, que começou fazendo games para plataformas antigas e que já ensaiam lançamentos para outros dispositivos Mobile, acredito que o Brasil pode e tem potencial técnico, criativo e artístico para desenvolver projetos similares aos da Relevo.

Vale a pena lembrar que a Relevo Video Games é certamente um reflexo e fruto do investimento dos espanhois no desenvolvimento de video-games, iniciado na década de 80 onde empresas como Dinamic Software e Opera Soft, desenvolviam games para MSX & ZX-Spectrum, na grande maioria das vezes inferiores aos japoneses, porém era uma época de busca do Know-How necessário para fazer frente aos japoneses na arte dos games no futuro.

Bom, se passaram 20 e poucos anos e finalmente podemos dizer que os espanhóis fazem frente a qualquer outro player no mercado de video-games, haja vista que os próprios japoneses começam a entregar o desenvolvimento técnico de suas consagradas franquias, como CastleVania (aka Vampire Killer para os MSXzeiros), a empresas espanholas.

CastleVania – Lords of Shadow, mostra o sucesso espanhol no desenvolvimento de games, iniciado na década de 80, uma vez que uma franquia de origem japonesa e que ao longo dos anos sempre fora desenvolvida em solo japonês e exclusivamente por japoneses, dessa vez é produzida em “terras” espanholas, através da Mercury Steam, só demonstra que o investimento de longo prazo é sempre a melhor opção.

Enquanto isso no Brasil…

…ainda engatinhamos no desenvolvimento de games e softwares para consumo do publico em geral, porém já começamos a ser reconhecidos em algumas áreas, pelo menos como um país potencial em desenvolvimento de software, apesar do mercado ser reconhecidamente inexplorado.

Desde cedo eu sempre acreditei que jogar video-games, era algo fenomenal pelo ponto de vista do aprendizado mas quando eu falava isso para um adulto na época, lá pelos anos 1980, não chegava a ser motivo de chacota mas o pessoal mais velho simplesmente ignorava a minha opinião, mais pela diferença entre gerações, entretanto por situações como essa, talvez, tenhamos perdido muito dos futuros profissionais que não chegaram a acontecer para o mercado de desenvolvimento de games.

Sempre acreditei que o simples fato de assistir alguém jogando já era o suficiente para fazer a cabeça pipocar as ideias, pois é necessário técnica apurada e conhecimento de algoritmos otimizados e também ser pelo menos um bom programador para se construir produtos de qualidade. Com o tempo percebi que jogar poderia ser mais produtivo para os que seguiram a carreira de desenvolvimento de software e design, do que para a grande maioria que estava apenas interessada em jogar.

Bom, como sou persistente e raramente jogo a toalha de primeira, fiquei muito feliz ao ler essa noticia no TechTudo, onde o autor descreve sobre um evento ocorrido em 25 de fevereiro desse ano (2011), denominado “O Mercado de Games e Aplicativos no Brasil” e também esse outro artigo, também no TechTudo, que vai de encontro exatamente ao que penso, onde o bom produtor de jogos deve ser um auto-didata, deve gostar de aprender e desenvolver coisas novas sempre, saber algumas linguagens e principalmente jogar MUITO !!!

Outra coisa bem legal que o autor cita é sobre, criar um grupo de estudo sobre games, que discuta ideias, técnicas, converse, extrapole as discussões, ou seja, desenvolva as ideias e as transforme em realidade, desenvolvendo novas técnicas e tecnologias, criando ferramentas, pois tudo isso gera a experiência necessária para o desenvolvimento de produtores em potencial para o mercado de games.

É bom saber que um grupo de estudos e desenvolvimento é um bom inicio e melhor ainda é saber que já temos um que está a pleno vapor, desenvolvendo um projeto de um RPG para MSX 2.0, totalmente feito em MSX-BASIC, com suporte a som de qualidade, compatível com placas FM do MSX (Panasonic FM-PAC, Tecnobytes FM-Stereo, …) e com toda capacidade de cores e gráficos que esses micros tem e que pouco foram aproveitados pelos desenvolvedores brasileiros da época.

Esse grupo, que ainda não tem nome, é composto por músicos, designers e programadores que viveram, ou não, a época de ouro do MSX e basicamente vem interagindo e desenvolvendo todo o game apenas em conversas por MSN e também na comunidade MSX-Brasil, no Orkut, que de maneira natural se tornou a “casa” do jogo, podendo ter seu desenvolvimento acompanhado aqui nessa discussão.

O nome do jogo é Visitantes – Experimento Sombrio e até o momento, diversas técnicas já foram desenvolvidas, como as de conversão de música MIDI para o MSX, conforme descrito na série MusicA – Tocando MIDI no MSX I, II, III e IV.

Grande parte do código do engine responsável pela execução do RPG também está pronta, sendo que ainda está previsto o desenvolvimento do game editor, necessário para edição da interação com o usuário.

Claro que muitas outras técnicas e novidades estão a caminho e ainda é muito cedo para detalhar algo sobre esse desenvolvimento, porém a medida que o projeto avança, alguns snapshots serão lançados ao público, como o vídeo que já está disponível no YouTube, através desse primeiro making of do que está rolando no desenvolvimento do game.

Bom, eu acredito que esse essa iniciativa é não só inovadora do ponto de vista técnico mas também pelo fato de comprovar que a internet é um meio produtivo que dissemina a idéia de que não importa mais o local onde as pessoas estão e sim o que elas podem fazer de onde elas já estão. 🙂

Espero que em breve tenhamos um mercado potencial no desenvolvimento de jogos no Brasil e espero um dia poder colher frutos disso mas enquanto isso….mãos na massa….tenho algumas coisas para terminar aqui 🙂

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PopolonY2k

Referência na internet

MSX-BASIC – Wikipedia
http://en.wikipedia.org/wiki/MSX_BASIC

Prolog – Wikipedia
http://en.wikipedia.org/wiki/Prolog

ADA Programming Language – Wikipedia
http://en.wikipedia.org/wiki/Ada_%28programming_language%29

C – Programming language – Wikipedia
http://en.wikipedia.org/wiki/C_%28programming_language%29

ASM – Wikipedia
http://en.wikipedia.org/wiki/Assembly_language

Relevo Video Games
http://www.relevovideogames.com/

Dinamic Software
http://en.wikipedia.org/wiki/Dinamic_Software

Opera Soft
http://en.wikipedia.org/wiki/Opera_Soft

Mercury Steam
http://en.wikipedia.org/wiki/MercurySteam

Android Operating System
http://en.wikipedia.org/wiki/Android_%28operating_system%29

IOS – iPhone Operating System
http://en.wikipedia.org/wiki/IPhone

CastleVania Lord of Shadow
http://www.konami.com/officialsites/castlevania/