Featured project – Aleste Gaiden Cartridge (MSX Brasil Oficial)

Depois de um longo período de silêncio, devido a um período de muito trabalho não relacionado a coisas legais, finalmente retorno com novidades, principalmente porque apesar do blog estar um pouco silencioso não significa que trabalhos em background não estão sendo desenvolvidos, muito pelo contrário pois essas horas de silêncio significam que muita coisa legal está sendo feita 🙂

Vamos deixar as outras coisas legais para outros posts pois o objetivo desse post aqui é mostrar um cartucho desenvolvido por uma das maiores comunidades de MSX no Facebook, que é a MSX Brasil Oficial, comunidade essa onde sou um dos fundadores e também um dos moderadores.

O projeto se iniciou nas conversas entre Erwin Brasil, um dos fundadores e também um dos moderadores da MSX Brasil Oficial com o Sergio Augusto Vladisauskis um dos membros mais atuantes da comunidade MSX nacional. Após algum tempo o Sergio entrou em contato comigo perguntando sobre a compatibilidade de uma ROM do jogo para MSX2, Aleste Gaiden, que havia sido gerada pelo software do Vincent Van Dam, o DSK2ROM.

Um problema havia sido detectado no som FM da ROM gerada, quando executada nos MSX TurboR operando em modo R800, causando sons estranhos e modificando completamente a musica para ruídos nada agradáveis de se ouvir. Ao testar essa ROM em um dos meus MSX TurboR, naquele dia, eu não sabia que estaria entrando de maneira intensa no desenvolvimento desse projeto.

Após testar essa ROM e concluir que tínhamos um problema, chegamos a conclusão que estava relacionado ao modo R800 pois eu havia testado a mesma ROM no MSX TurboR mas em modo Z80, bootando a máquina pressionando a tecla 1 e tudo havia funcionado perfeitamente, então para corrigir isso deveríamos inserir uma rotina que chaveasse o funcionamento dessas máquinas para o modo Z80, na inicialização do jogo.

Como as notícias correm rápido demais em um ambiente comunitário forte e principalmente com muita gente boa interagindo entre si, então em poucos minutos um dos membros da comunidade MSX bem conhecido pelo seu alto conhecimento da plataforma MSX, o Julio Lemos, entrou em contato comigo já com uma ROM modificada para esse fim e como era de se esperar, essa ROM funcionou perfeitamente.

Apesar desse contratempo tudo caminhava muito bem e os cartuchos MegaFlashROM começavam a ser produzidos para que enfim a ROM pudesse ser gravada e entregue aos participantes patrocinadores do projeto. Mas o pior estava por vir e nesse momento mais uma vez o Sergio me informou que a ROM do Aleste Gaiden não funcionava nessa MegaFlashROM 512Kb, apesar de rodar muitos jogos MegaROM, incluindo MetalGear2 e Goonies ‘R’ Good Enough, ambos de 512Kb, de mesma capacidade da ROM do Aleste Gaiden.

Marcamos, eu, Sergio e sua noiva, Cristina Simões e também o Rogério Matte (MSX ARM) no Shopping Light no centro de São Paulo, onde o Sergio me levou uma versão dessa MegaFlashROM 512Kb, com todos os chips soquetados afim de que pudéssemos modificá-la, caso fosse necessário, mas olhando a descrição da MegaFlashROM na própria plaquinha, dizia MegaFlashROM Konami4, o que já indicava uma pista do “problemão” que teríamos que resolver.

Não dá apara avançar nas explicações sem antes falar sobre a…

…DSK2ROM

O projeto DSK2ROM apesar de ser excelente e complexo tem um conceito bastante simples, ele simplesmente adiciona uma DISKBIOS modificada para “enxergar” a mapper da MegaFlashROM como se fosse um disco, mas infelizmente a DSK2ROM não suporta mapper Konami4 e para chegar a essa conclusão eu havia iniciado um trabalho de desenvolvimento de um novo gravador de flash para a MegaFlashROM que seria o responsável de patchear o software e DISKBIOS corretamente para a mapper Konami4, desenvolvi então o DSK2FLASH e fiz alguns testes com o jogo Aleste 1, que também não funcionava nessa mesma MegaFlashROM Konami4, entretanto cheguei a conclusão que o trabalho em cima da DISKBIOS seria bem demorado e que se o pessoal concordasse eu começaria os trabalhos em cima disso, mas não seria algo imediato e levaria talvez alguns meses até que tudo estivesse concluído.

O pessoal do projeto concordou em esperar mais um tempo até que eu tivesse tudo concluído mas nesse momento o inesperado aconteceu novamente. Como as notícias correm rápido e até mesmo porque depois que expliquei tecnicamente, exatamente, o que precisaríamos fazer para ter o Aleste Gaiden rodando nessa MegaFlashROM K4, algumas horas após expor esse fato na lista dos participantes do projeto, eu recebi um email do Marcelo Zoffy que eu conheci naquele exato momento em que lia aquele email mas que já de entrada havia ganho minha apreciação, admiração e respeito.

No email ele me dizia que havia feito exatamente o que eu precisava, inclusive já tinha uma ROM do Aleste Gaiden preparada para rodar na MegaFlasgROM Konami4, mas que só havia testado em um OpenMSX e nunca em um MSX real, ROM essa que estava inclusa em anexo no email. Nem precisa dizer que testei essa ROM correndo em vários MSX, desde MSX2 importados, MSX TurboR e também no ZemmixNeo, todos funcionando 100% e de primeira.

Agradeci ao Marcelo Zoffy, prometi que enviaria um cartucho novinho para ele assim que o mesmo estivesse pronto, peguei a ROM enviada por ele reenviei ao Julio Lemos para que ele aplicasse a sua modificação que chaveia o modo de operação para Z80 nos MSX TurboR e em 1 semana já tínhamos tudo pronto para lançar os cartuchos.

Após tudo isso, o Sergio correu para produzir, testar e corrigir eventuais problemas nas plaquinhas de MegaFlashROM já com os cartuchos transparentes, bem como Erwin finalizou a arte dos adesivos que estampam a frente dos cartuchos do Aleste Gaiden, que podem ser apreciadas nas fotos abaixo 🙂

Me lembro que há uns 3 anos atrás eu lancei o concurso Pop!Dev, visando premiar o desenvolvimento de software para MegaRAM, na época, onde o prêmio seria justamente uma MegaRAM 2MB. Infelizmente não houveram participantes nesse concurso e o mesmo foi cancelado alguns meses depois.

Felizmente ao participar de iniciativas como essa, onde membros da comunidade estão realmente focados em fazer algo acontecer, me faz repensar o relançamento do Pop!Dev novamente, sob outros moldes.

Posso afirmar que os vencedores do Pop!Dev do Aleste Gaiden, foram Marcelo Zoffy e Julio Lemos 🙂

Conforme prometido, tanto o Marcelo Zoffy, quanto o Julio Lemos, receberam 1 cartucho do Aleste Gaiden cada um deles pela grandiosa ajuda nesse projeto, pois sem eles talvez a ROM utilizada não fosse a do Aleste Gaiden, conforme pensado originalmente.

Agradeço também ao Sergio, que como um dos pais do projeto demonstrou uma grande capacidade e agilidade de “movimentação”, pois sabemos que em projetos desse tipo é necessário alguém com essa força em fazer a coisa acontecer, bem como ao Erwin pelas ideias e arte do cartucho e também a todos os que patrocinaram o projeto, sem vocês ele não teria acontecido nessa proporção em que aconteceu.

[]’s
PopolonY2k

Game review – Mr.Bree+

No final de 2012, participei de uma pequena palestra do pessoal da Taw Studio, um pequeno estúdio localizado na cidade de Pindamonhangaba no interior de São Paulo, promovida nas instalações do Acrópolis estudio de Arte e escola de mangá, a respeito de seu principal game na época, o Mr. Bree+.

Mr.Bree+ Wallpaper

Mr.Bree+ Wallpaper

Desde então, fiquei bastante interessado em adquirir o game, uma vez que os autores disseram que em breve o mesmo estaria disponível em algumas game stores nacionais. Pouco tempo depois me tornei parceiro para reviews de jogos da SplitPlay desde o inicio de suas operações, mas naquela época a SplitPlay ainda estava se organizando e fechando parcerias com diversos estúdios indies nacionais e o Mr. Bree+ ainda não estava em sua loja, entretanto em menos de 2 meses, felizmente o mesmo foi adicionado à sua lista de jogos. Lembrando que hoje a SplitPlay lança jogos indies nacionais instantaneamente a seu lançamento no mercado, tendo alguns lançados primeiramente lá.

O Jogo

O jogo começa com uma excelente apresentação do porquinho (Mr.Bree) caindo ferido na floresta, visivelmente perdido e sem memória. Após a apresentação o jogo inicia em um pequeno labirinto, onde Mr. Bree deve avançar, passando por obstáculos que vão dificultando a cada novo estágio. Além de passar pelos obstáculos, Mr.Bree deve coletar umas peças vermelhas no formato de um quebra-cabeças, que de fato são as “suas memórias”.

Ao coletar uma “memória”, Mr. Bree vai relembrando as suas habilidades, que lhe serão essenciais para a finalização do jogo.

Mr.Bree+ Promo

Mr.Bree+ Promo

Foi impossível não comparar o Mr.Bree+ com alguns jogos de MSX, como o The Goonies e principalmente o jogo onde Popolon (e Aphrodite) são protagonistas da saga Knightmare, The Maze Of Galious, pois em minha opinião esses jogos estão na mesma categoria (platform puzzle games).

The Goonies.

The Goonies (MSX)

Kinghtmare - The Maze of Galious

Kinghtmare – The Maze of Galious (MSX)

O porquinho Mr.Bree, de fato é um porquinho fazendeiro que repentinamente é aprisionado e separado de sua família. A partir daí a sua saga se inicia em busca de suas lembranças e de seus familiares.

Análise técnica

A arte do jogo é excepcional, sendo cada detalhe gráfico muito bem desenhado e cuidadosamente detalhado. As animações que ocorrem no decorrer do jogo também são muito bem feitas, seguindo o mesmo padrão gráfico do jogo.

A partir da segunda fase é possível perceber que os desenvolvedores utilizaram pelo menos 3 layers de fundo, o que proporcionou um ótimo efeito no scroll parallax a medida que o Mr.Bree se movimenta.

Apesar de todas as 45 fases e das 15 secretas que o jogo possui, o diferencial do Mr.Bree+, em minha opinião, ficou por conta da excelente música e como todo bom jogo, Mr.Bree+ tem em suas músicas o  essencial para manter o interesse dos fans no jogo durante todas as fases.

Infelizmente o jogo não está disponível para todos os principais sistemas operacionais e só é compatível com Windows e MacOSX.

Notas finais

  1. Gráficos  10
  2. Efeitos sonoros 10
  3. Trilha sonora 10
  4. Jogabilidade 10
  5. Portabilidade 6.5
  6. Nota final 9.3

Um ótimo jogo nacional, e ainda por um ótimo preço na SplitPlay.

[]’s
PopolonY2k

Referência na internet

Taw Studio
http://tawstudio.com/

SplitPlay (PopolonY2k rulezz)
http://www.popolony2k.com.br/?p=2331

The Goonies (Wikipedia – MSX)
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Goonies_%28MSX%29

Maze of Galious (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Maze_of_Galious

Platform games (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Platform_game

Parallax Scrolling (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Parallax_scrolling

SplitPlay

Quem viveu a adolescência nos anos 80 sabe que indústria dos vídeo games era completamente dominada pelo Japão, principalmente após a crise de 1984 que deixou essa indústria vulnerável nos EUA no início dos anos 80.

Naquela época a Europa também tinha uma indústria forte, principalmente na Inglaterra onde diversos estúdios se dedicavam ao desenvolvimento de jogos para a plataforma ZX Spectrum, sendo essa uma das plataformas mais promissoras da época tendo diversos ótimos jogos lançados no mercado, inclusive sendo portados para outras plataformas como MSX e Amstrad CPC.

Também nessa época me lembro que os espanhóis começavam a desenvolver muitos jogos para MSX e ZX Spectrum, sendo muitos deles excelentes e outros de qualidade contestável. Mas como é se fazendo que se chega a perfeição, já naquela época fomos agraciados com excelentes jogos espanhóis, como por exemplo Astro Marine Corps.


Astro Marine Corps (ZX Spectrum, MSX e Amstrad CPC)

Felizmente o tempo passa e hoje os espanhóis também são bastante reconhecidos no mercado internacional de desenvolvimento de jogos, conforme já descrevi em um texto aqui há algum tempinho atrás.

Enquanto isso no Brasil

Infelizmente o Brasil é um País em que os empreendedores tem que gastar muita energia e dedicação para colocar seus sonhos em prática, pois há pouco ou quase nenhum investimento por parte do governo no fomento da indústria nacional de jogos. Entretanto graças ao espírito empreendedor dos estúdios nacionais, muitas vezes caseiros, esse mercado tem se desenvolvido ainda que lentamente, mas se considerarmos o cenário de 10 anos atrás, estamos vivendo um momento de extrema inovação e principalmente se desenvolvendo rapidamente.

SplitPlay

Os estúdios e desenvolvedores brasileiros sempre tiveram dificuldades principalmente no que diz respeito a facilidade de distribuição no mercado nacional. Me lembro que na década de 80 mesmo os grandes desenvolvedores da época, a maioria dedicados ao mercado de computadores MSX, tinham muita dificuldade em distribuir seus softwares, dentre eles diversos jogos feitos na época para essa plataforma. O meio mais efetivo na época era a publicidade em revistas especializadas, o que era caro e na maioria das vezes não significava retorno do investimento, uma vez que o fator pirataria também influenciava para que a quantidade de cópias fosse bem limitada aqui no Brasil, mais do que nos dias atuais.

Nesse cenário desfavorável o mercado nacional de games foi se desenvolvendo e hoje podemos dizer que é impressionante o número estúdios e desenvolvedores nacionais existentes por aqui, entretanto faltava uma boa alternativa nacional às grandes game stores internacionais, como a Steam, GooglePlay e iTunes, que na maioria das vezes não traz retorno nem reconhecimento algum aos estúdios nacionais, mantendo-os pequenos e muitas vezes irrelevantes no mercado mundial.

Para minha surpresa, no início do ano recebi um contato por parte do pessoal da SplitPlay, que é uma game store dedicada 100% a distribuição de jogos desenvolvidos aqui no Brasil onde, após algumas trocas de emails, estabelecemos uma parceria que me permitirá fazer uma análise dos jogos disponibilizados na SplitPlay :).

SplitPlay

SplitPlay Game Store website

Tenho recebido jogos de excelente qualidade e apesar da maioria ter um preço final que chega a ser 10 vezes menor que o de um jogo estrangeiro, posso afirmar que a maioria deles não deixa nada a desejar aos desenvolvidos por estúdios internacionais que tem acesso a mais recursos financeiros em seus desenvolvimentos.

Bom, esse é o primeiro de muitos posts que farei a respeito dos jogos nacionais disponibilizados na SplitPlay e nas análises posteriores tentarei pontuar os jogos considerando a qualidade gráfica, recursos computacionais utilizados, qualidade sonora, jogabilidade e portabilidade.

Quem viveu na época de ouro do MSX, deve se lembrar das análises de jogos feitas pela revista MSX Micro, portanto devem lembrar o estilo utilizado por essa publicação na época…..para quem não era nascido só posso sugerir que aproveitem e divirtam-se.

[]’s
PopolonY2k

O efeito cósmico de poucos bits.

Quem visita o site constantemente já deve ter percebido 2 novos buttons na parte dedicada aos sites parceiros do PopolonY2k Rulezz. Pois bem, oficialmente agora quero apresentar esses 2 novos blogs (por ordem de chegada :)).

O pimeiro é o blog Poucos Bits – Realmente fazem diferença, que é um blog muito bem feito e com um layout muito legal, que trata basicamente de retrocomputig e também de assuntos relacionados a computação em geral, passando por reviews de gadgets diversos, principalmente os gadgets do momento, que são os potentes celulares, como IPhone e os diversos sabores de Android.

Assim como muitos dos blogs de retrocomputing, o Poucos Bits tem a característica de mostrar como muita coisa nova pode ser adaptada e utilizada em nossos antigos e queridos aparelhos.

Poucos bits realmente fazem diferença

.

O segundo blog que quero apresentar é, para mim, um dos mais valiosos blogs do cenário retrô e também da internet em geral, principalmente de lingua portuguesa, criado nos últimos 5 anos. Estou falando do Cosmic Effect, que é, resumidamente, um vídeo blog que trata de jogos do cenário retrô, falando de maneira profunda sobre os diversos existentes nas diversas plataformas old skool de video-games e computadores.

Cosmic Effect - Video games ontem e hoje

Os vídeos apresentados em cada novo post da série são de qualidade profissional, com efeitos realizados por quem realmente entende e principalmente gosta do que está fazendo. E para provar que o Cosmic Effect é parte não só de galera de retrogaming mas também de retrocomputing, esse post aqui mostra o grande trabalho feito no SuperConsole, que para mim é o melhor MAME não emulado 😉 já criado, além de ser muito legal.

[]’s
PopolonY2k

Projeto Parallax – Engine de jogos 2D escrita em Java

Na ultima semana recebi por email a notificação do Cosmic Effect, onde sou inscrito, divulgando um post do desenvolvedor Michel Montenegro, descrevendo sobre o seu projeto de uma engine 2D escrita em Java, denominada Projeto Parallax.

Ao ler o post e assistir ao vídeo de apresentação da engine logo percebi que se trata de um dos projetos mais legais, inovadores e internacionais feitos por um brasileiro nos ultimos anos. Usei justamente o termo internacional pelo fato de eu já ter trabalhado em projetos internacionais, como o simulador de vôo Open Source FlightGear, adquirindo uma certa experiência que me possibilitou perceber o cuidado do autor em fazer um trabalho expansível e aberto, do mesmo nível de outros projetos internacionais.

Não posso deixar de citar que uma das maiores empolgações que tive de imediato ao assistir o vídeo, foi perceber que a engine trabalha nos moldes de muitos dos RPG‘s conhecidos pelos usuários e entusiastas da comunidade MSX, como Gouvellius, XAK, Fray, Shalom (Knightmare 3)  e com pitadas de SD-Snatcher.

Xak – The art of visual stage

De imediato tratei de entrar em contato com o autor do Projeto Parallax que me respondeu prontamente e atenciosamente de tal forma que trocamos endereços de email, GTalk e por fim nos falamos por mais de uma hora através do Skype. Foi um bate papo descontraído e  bastante proveitoso até porque conversamos sobre diversos assuntos relacionados a engine do Parallax, onde também citei o desenvolvimento do jogo pela comunidade MSX Brasil, divulgado meses atrás, nesse link aqui, sendo que o game da comunidade é no estilo Click-and-Point, próximo a RPG, porém em menor escala de complexidade.

Após muita conversa técnica, onde o autor me mostrou a estrutura da engine incluindo partes do código fonte em Java, percebi diversas coisas, algumas das quais compartilho abaixo:

  • O autor tem profundo conhecimento pois estudou a fundo o processo de desenolvimento de jogos, particularmente os RPG’s;
  • O projeto é altamente estruturado, não devendo nada aos projetos internacionais;
  • O código fonte (escrito em Java) é de excelente qualidade, muito claro e com excelente orientação a objetos e principalmente implementando com clareza os conceitos propostos pela engine;
  • O autor é muito, mas muito gente fina :);

Pedi então que o Michel fizesse um post explicando os detalhes do projeto Parallax e em pouco tempo ele me enviou um texto por email que reproduzo, na íntegra, abaixo.

Divirtam-se 🙂

Projeto Parallax – Uma engine de jogos 2D escrita em Java
por Michel Montenegro

Tudo bom pessoal, vim falar a vocês sobre o projeto Parallax, o projeto é um motor de criação de jogos 2D, ele funciona basicamente como um RPGMaker, para a criação de jogos ao estilo Dofus, Tibia e outros. Um dos focos do projeto é que o criador não programe uma única linha de código Java, somente altere valores em um “database” parecido com o do RPGMaker e edite suas imagens para o seu gosto e necessidade. Outro foco importante para o projeto é que ele vai dar suporte a jogos On-Line (MMOG). Imagine criar um jogo já com a possibilidade de ter um servidor em uma maquina e acessá-lo?.
Sou um fã de jogos em 2D e 3D, porém os jogos em 2D possuem uma mágica que atualmente vem sendo reconquistada no ambiente On-Line, tenho me deliciado com jogos online atuais que seguem aquele estilo visual, como o “épico e cômico” Dofus, o conhecido Tibia e mais recentemente o Club Penguin — este, um MMO em flash sob o selo de qualidade Disney, portanto, imaginem a qualidade da arte 2D.

Games

Uma engine em Java para RPGs em 2D
Não existem engines em Java para jogos 2D, para 3D existe o JMonkeyEngine, existem muitas bibliotecas para o apoio no desenvolvimento 2D, mas nada que ultrapasse esta barreira, não existe no Brasil um projeto similar e que esteja funcional e com este grau de amadurecimento.
Fazer jogos em Java é completamente viável por vários motivos, e algumas dessas razões me motivaram a escolher Java como linguagem, vou citar as vantagens desta engine:

  • Projeto open source – O usuário da engine poderá se assim desejar, fazer alterações personalizadas.
  • Compatibilidade – Possibilidade de rodar em qualquer sistema operacional que tenha uma JVM (Máquina Virtual Java) desde que atenda os padrões mínimos de hardware.
  • Sem programação – Não ter a necessidade de conhecer nenhuma linguagem de programação, apenas conceitos básicos de operação em qualquer sistema operacional.
  • Expansivo – Inicialmente, oferecer a capacidade de gerar jogos no mesmo estilo do RPG Maker para então expandir para outros modos. O Projeto Parallax é totalmente modular.
  • Off-line e on-line – Oferecer suporte online, possibilitando criar um MMOG ou MMORPG. Importante lembrar que o JMMORPG, protótipo do Parallax, obteve sucesso neste aspecto e suas estruturas estão sendo aproveitadas.
  • Custo zero – O Projeto Parallax somente faz uso de tecnologias 100% livres e de código aberto em sua construção.
  • Padronização no código e na criação final do produto – Utilização de técnicas modernas durante o desenvolvimento, garantindo compatibilidade com conceitos e tecnologias atuais.
  • Porta aberta para todos – Para quem deseja entrar na área de desenvolvimento de jogos, principalmente em Java, nosso projeto pode ser uma excelente escola.
  • Qualidade e simplicidade – Se for para qualquer um poder criar, não pode ser complexo. Procuro manter o código-fonte o mais objetivo, enxuto e padronizado possível.

O projeto parallaxUm relato rápido: no início, alguns profissionais da área de TI/desenvolvimento de jogos até me desmotivaram com relação a esta ideia, por conta da existência do XNA (framework de jogos para PC/X360 e Windows Phone), o GameMaker e até mesmo o próprio HTML5. Dei uma espiada nelas e pude concluir que, para o meu objetivo, Java continuou como a opção mais interessante, por quê?

  1. Existe JVM para Windows, Linux Mac, Symbian, Android, ambiente web (Applet) e outros que possuam uma JVM (aumentando a possibilidade de expansão ou adaptação do projeto, até para outra vertente, no que se refere à plataforma).
  2. Existem bibliotecas que agilizam muito o desenvolvimento em Java (Apesar do Graphic User Interface ser seu ponto fraco no quesito, ser trabalhoso e até complexo em relação a outras linguagens ou ferramentas mais especificas como o Flex, o resultado e controle que a linguagem dá por trás compensa estes detalhes).
  3. Uma rica quantidade de documentação a respeito da linguagem e de suas bibliotecas, dando suporte para um aprendizado mais veloz, além de poder usar qualquer outro conceito da área de desenvolvimento de jogos, sem o menor problema.
  4. Não ter que pegar nenhum tipo de licença, todas as tecnologias usadas são 100% gratuitas e de código aberto (Possibilitando mudanças personalizadas), dando total autonomia para o criador.
Engine em ação

Engine em ação

O Projeto Parallax já incentivou outros a pensar em fazer engines para Android e Symbian, uma outra vertente que gostaria de ver nossa engine se expandindo no futuro. Espero que gostem do trabalho e acreditem: foram dois anos e “uns quebrados” de muito estudo e pretendo levar a frente.
Peço que divulguem este artigo o máximo que puderem para seus amigos nas redes sociais e onde mais acharem relevante, quanto mais divulgação, maior a chance de ter colaboradores que ajudem o projeto a crescer mais rápido, lembrem-se “em solo fértil, um povo unido não passa fome” . Pois bem, respirei Projeto Parallax nos últimos dois anos e no site http://www.einformacao.com.br/parallax/ você pode encontrar em que pé a engine está neste momento. Sempre que possível vamos estar atualizando aqui o estado atual da engine ( ^^ ) um abraço a todos e obrigado!

Engine funcionando, com o jogo “As Crônicas Do Aventureiro”
 

Parallax Project – Video 2
 

Parallax Project – Video 3

Referência na internet

Site oficial do projeto Parallax
http://www.einformacao.com.br/parallax/

CosmicEffect – Video games ontem e hoje
http://cosmiceffect.com.br/

Project Parallax (CosmicEffect)
http://cosmiceffect.com.br/2012/02/16/projeto-parallax-engine-em-java-para-jogos-2d/

FlightGear – Open source Flight simulator
http://www.flightgear.org/

Java Home
http://www.java.com/en/

MSX, games e produções indepemntes (PopolonY2k Rulezz)
http://www.popolony2k.com.br/?p=967

MSX Brasil (Orkut)
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98375914

RPG (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Role-playing_video_game

Click-and-point adventure games (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Adventure_game

Gouvellius (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Golvellius

Xak (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Xak

Fray (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Fray_in_Magical_Adventure

SD-Snatcher (Wikipedia)
http://en.wikipedia.org/wiki/SD_Snatcher

Knightmare 3 – Shalom
http://knightmaresaga.msxblue.com/shalom/index.htm